sexta-feira, 3 de junho de 2011

Comparativo: Tenere 250 x XRE 300

Afinada com as demandas do público e com autonomia de estradeira, A Ténéré 250 é a aposta da Yamaha para desbancar a líder Honda XRE 300

Hoje fiquei com vontade de comprar a Yamaha XTZ 250 Ténéré. Isso não ocorre sempre: geralmente é preciso mais que um rostinho, ou melhor, uma carenagem bonita para convencer alguém que está habituado a pilotar quase tudo o que anda sobre duas rodas e tem motor.

Não que a carenagem não seja bonita. E é até acompanhada de boas novidades – e poucas características negativas, heranças da predecessora XTZ 250 Lander. O preço estimado pela Yamaha até o fechamento desta edição girava em torno de R$13.000,00. A julgar pelo porte, a Ténéré aparenta custar mais.

Com tudo isso, o lançamento, que parece atingir o centro do alvo, tem suas ressalvas. A primeira voltinha mostrou que algumas coisas não mudaram. O câmbio mantém engates duros e imprecisos, algo que já deveria estar solucionado. O ruído característico de máquina de costura da vovó também continua no cabeçote do motor. Será a Ténéré uma Lander fantasiada de faraó?

Segundo a Yamaha, ela é outra moto, diferente, com novos pontos de fixação (de tanque e banco) no chasi etc. Sei, sei… Está certo que o curso de suspensões foi alterado, o freio dianteiro está melhor e o painel é agora o melhor da categoria, herdado da FZ6. Mas dizer que se trata de outra moto é forçar um pouco. É uma versão melhorada, diferenciada e com novo apelo da Lander.

A Honda XRE 300 é o alvo dessa mini-Ténéré exclusiva para o mercado brasileiro (lá fora, encontram-se as versões 660 e 1200, que no início de 2011 chegam por aqui também). Acompanhe qual a melhor em diversos aspectos. Se está na dúvida entre qual delas comprar, nos vamos ajudá-lo.

NO ASFALTO

Ténéré significa deserto na linguagem tuaregue, dos nômades do deserto do norte da África. Embora o nome dê a idéia de aventura e longos ralis, esta XTZ 250 foi desenvolvida para viagens de médios percursos e vai melhor no asfalto. Essa também é uma característica da Honda XRE, que, apesar de ter pneus mais adequados ao off-road, ficou mais urbana. E é nos pneus que a Yamaha larga na frente: a maioria dos usuários raramente enfrentará um trecho difícil de terra, em que o pneu faria diferença. No asfalto, em velocidades elevadas, o Metzeler que equipa a XRE (e a Lander) é barulhento. Ja a Ténéré se equipa com o Pirelli Scorpion MT 90, que apresenta grande aderência em trechos de asfalto seco ou molhado sem comprometer a dirigibilidade em pisos de terra seca.

Nos trechos sinuosos de asfalto, a Ténéré leva vantagem, em parte graças à nova medida de cáster e a calibragem de suspensão. Na prática, ficou mais intuitiva para inclinar nas entradas de curva. A XRE, por outro lado, é mais firme, aceita melhor as irregularidades e diferenças de asfalto.

Os freios são superiores na Honda – bastante. E não estou falando apenas do sistema ABS que equipa a XRE avaliada. Esse é sem dúvida um anjo da guarda em situações de pouca aderência e sua presença distancia um sistema de outro. Contudo, é preciso frisar que mesmo a versão sem esse tipo de assistência tem freios superiores aos da Yamaha. Os freios da Ténéré melhoraram em relação aos da Lander.

Agilidade é importante nesse tipo de moto e, levando em conta o peso a seco de cada motocicleta, a vantagem é da Yamaha. Se você encher o tanque com os 16 litros, pode apostar que ambas ficarão parelhas. A Ténéré pode rodar até 400km sem ter de parar para abastecer, o que pode ser útil em regiões mais isoladas do país.

EM conforto, ambas são semelhantes, mas a Yamaha possui assento mais largo e guidão mais alto, sem contar a proteção aerodinâmica do para-brisa. O funcionamento do motor com quatro válvulas e duplo comando da XRE é superior não só em rendimento como também em vibração.

Com pista limpa e céu de brigadeiro, a nova Yamaha está na dianteira. Hora de ingressar nos literalmente árduos caminhos do off-road.

Ambas são capazes de levar piloto e garupa até o sítio, através de uma estrada de terra, ou mesmo por aquela trilhazinha fácil. Sob chuva e lama, o pára-lama dianteiro colado ao pneu impossibilitou o movimento da roda dianteira, transformando-se literalmente em um “para-roda-com-lama”. O ABS da Honda também não é lá essas coisas em situações em que é bom ter a roda traseira travada (não é possível desativar o sistema). Nas descidas mais lisas, a solução foi desligar a moto com a primeira engatada e tudo ficava um pouco mais fácil.

No fim, como diz o ditado, deu tudo certo e, depois de um dia inteiro cheio de aventuras, fizemos com a Honda XRE 300 e com a Yamaha Ténéré 250 o que entusiastas aventureiros fariam. Em muitos aspectos, é possível fazer dois tipos de avaliações sobre as máquinas aqui comparadas. Se você conduzir e escrever como um piloto profissional, as vantagens técnicas da Honda serão visíveis, e o resultado final pode ser bem próximo. Avaliando não apenas como piloto/repórter especializado, mas usando a emoção proporcionada no teste e os números de seguro e preço de aquisição de cada motocicleta, a vantagem é maior para a Yamaha. Sem contar o belo painel de instrumentos, com equipamentos digitais e analógicos, e também o excelente nível de acabamento.

O preço sugerido da Ténéré (cerca de R$13.000,00) ainda é um anúncio provisório da Yamaha, enquanto a versão da XRE com ABS custa R$15.390,00. Sem o evoluído sistema de freio, o preço da Honda em São Paulo cai para R$12.890,00 (sem frete e seguro). Entre as versões de preço igual, a Ténéré é mais interessante e vale cada centavo investido.

COMPARAÇÃO ITEM A ITEM

TOCADA

- XRE 300: “A XRE funciona perfeitamente bem, é confortável, ágil e fácil de ser conduzida, além de ser mais forte”.

- XTZ 250: “A Ténéré traz acerto de suspensões macio, novo cárter e posição de pilotagem confortável. Ficou ótima para a cidade e para viagem e não foi totalmente prejudicada no fora de estrada”.

DIÁRIO

- XRE 300: “Ideal para ir ao trabalho todos os dias e curtir pequenas viagens nos fins de semana. Muito visada pelos amigos do alheio”.

- XTZ 250: “Aparência gigante, mas é extremamente fácil de ser levada e também roda bem entre os carros”.

ESTILO

- XRE 300: “Bonita e bem cuidada. Diante do lançamento da Ténéré, seu painel perdeu a graça”.

- XTZ 250: “Visual arrebatador na parte frontal. Farol duplo, tanque e carenagem merecem nota máxima. Traseira esquisita, parece ter sido adaptada”.

MOTOR E TRASMISSÃO

- XRE 300: “O motor é experto e fluente graças ao bom acerto da injeção eletrônica. Dá pena o câmbio, que era tão bem escalonado na Tornado [é verdade] e agora tem apenas cinco velocidades”.

- XTZ 250: “O monocilíndrico OHC é barulhento, porém eficiente. Tem pistão forjado e cilindro com revestimento cerâmico. O câmbio de cinco velocidades deveria ser revisto, pois segue impreciso e duro”.

SEGURANÇA

- XRE 300: “Os freios são totalmente eficientes e o ABS é muito bem acertado, superando até sistemas de motos maiores”.

- XTZ 250: “O freio dianteiro evoluiu com a adoção de tabulação com alma de cobre e está melhor”.

MERCADO

- XRE 300: “Como a maioria das motocicletas da Honda, a XRE é um bom negócio na compra, durante a utilização e também na venda”.

- XTZ 250: “O menor índice de roubo é característica importante que as Yamaha tem sobre as motocicletas da Honda”.

DE ZERO A DEZ

PERFORMANCE:

- “Motor: XRE (9,0) – XTZ (8,0);
- Câmbio: XRE (7,0) – XTZ (7,0);
- Freio Dianteiro: XRE (9,0) – XTZ (7,0);
- Freio Traseiro: XRE (9,0) – XTZ (9,0);
- Susp. Dianteira: XRE (9,0) – XTZ (9,0);
- Susp. Traseira: XRE (9,0) – XTZ (9,0);
- Acabamento: XRE (7,0) – XTZ (10,0)”.

PILOTAGEM:

- “Posição: XRE (9,0) – XTZ (9,0);
- Agilidade: XRE (8,0) – XTZ (9,0);
- Instrumentos: XRE (8,0) – XTZ (9,0);
- Ruído: XRE (7,0) – XTZ (7,0);
- Conforto: XRE (8,0) – XTZ (10,0)”.

BOLSO

- “Mercado: XRE (8,3) – XTZ (8,5)”.

OUTRAS CARACTERÍSTICAS

XRE 300:

“Confortável banco de dois níveis”.
“Bagageiro e piscas brancos”.
“Pinça de três pistões, só com ABS”.
“Painel digital, mas de difícil leitura na XRE; motor eficiente, com 4 válvulas e duplo comando, bloqueador a chave”.

XTZ 250:

“Banco largo e macio na Ténéré”.
“A traseira destoa do conjunto”.
“Freio melhor que o da Lander”.
“Ténéré tem painel completo a com ótima visualização; motor bom, mas barulhento e mola com ajustes mais fáceis”.

VALOR APROXIMADO

- “XRE 300: R$ 15.390;

- XTZ 250: R$ 13.000 (preço estimado)”.

Fonte: QUATRO RODAS MOTO. “O diapasão dá o tom”. São Paulo: Abril, 2010.
Por Rafael Paschoalin (texto) e Christian Castanho (fotos).

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